Dia da Consciência assinalado em Lisboa pela Fundação Aristides de Sousa Mendes

Dia 17 de junho de 2026, a Fundação Aristides de Sousa Mendes promoveu uma homenagem ao Cônsul, com o descerramento de uma placa que assinala o lugar onde este faleceu a 3 de abril de 1954, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa. Pode ser-se mais sobre a iniciativa aqui: https://setemargens.com/o-legado-de-coragem-e-compaixao-de-aristides-de-sousa-mendes-e-celebrado-em-lisboa/ Antes do descerramento da placa, os assistentes participaram da missa que se celebra habitualmente no referido Hospital. Intervieram brevemente nesta homenagem, o presidente do Conselho de Administração da FASM, Carlos Sousa Mendes, o neto de Aristides, António de Sousa Mendes, e a bisneta, Margarida Navarro Mascarenhas.

Partilhamos, de seguida, a intervenção de Margarida Mascarenhas:

17 DE JUNHO DE 2026 | DIA DA CONSCIÊNCIA
HOSPITAL DA ORDEM TERCEIRA | DESCERRAMENTO DE PLACA

Boa tarde,

Gostaria de começar por saudar todos os aqui presentes:
• O Senhor Presidente do Conselho de Administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes, Dr. Carlos Sousa Mendes;
• O Senhor Ministro da Fraternidade da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Cidade, Ir. Luís Torres Alves;
• Os meus colegas do Conselho de Administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes;
• As demais individualidades aqui presentes;
• E a minha família.

Chamo-me Ana Margarida. Sou bisneta de Aristides e de Angelina de Sousa Mendes e, orgulhosamente, lisboeta.
Desde o momento em que tomei consciência da história do meu bisavô, o Hospital da Ordem Terceira tornou-se uma referência para mim. Pois, era sempre aqui que a sua história encontrava o seu desfecho. Embora, na altura, não tivesse ainda plena consciência da antiguidade desta Instituição, nem da dedicação do seu trabalho, via-o como o último abrigo do meu bisavô.
No dia da sua morte, a 3 de abril de 1954, já não tinha consigo nenhum dos seus filhos que, pela força das circunstâncias, se encontravam fora do país. Ainda assim, não morreu só. Ao seu lado, teve a sua sobrinha Madalena de Sousa Mendes, filha do seu primo direito, que, não obstante celebrar nesse dia o seu aniversário, esteve com ele nesse último momento. E entre estas paredes, Aristides de Sousa Mendes, encontrou uma outra família. O homem que um dia ajudou a salvar tantas famílias da perseguição e da morte, que abriu as portas da sua casa e do seu coração a tantos refugiados, encontrou encontrado, no final da sua vida, acolhimento e cuidado neste Hospital.
Que esta placa nos recorde sempre que podemos todos ser abrigo para quem precisa.
Muito obrigada,

Ana Margarida Mascarenhas